Carta da CEO sobre Finanças Sustentáveis e Banking

Erika Karp
Fundadora e CEO da Cornerstone Capital Inc. e ex Head de Pesquisa Setorial Global do banco de investimentos UBS

Este mês no Cornerstone Journal of Sustainable Finance & Banking (JSFB), assistimos um mercado global mais suave com antecipação contínua da normalização das taxas de juros. Um certo alívio ocorreu quando o FED finalmente anunciou o prazo do processo de redução dos estímulos ou “taper”. Além dessa tensão, e da que a implementação da Regra Volcker com suas consequências para o setor bancário, nós lidamos com o estresse geopolítico em torno do espaço aéreo China-Japão, debates sobre a constitucionalidade da coleta de dados da NSA e as perspectivas de soberania do mercado bancário Europeu. Mesmo considerando tudo isso, aparentemente tudo empalideceu face a profundidade da emoção expressa em homenagem a Nelson Mandela, com sua passagem neste mês.

No contexto dos mercados globais e, em especial no que se refere às aspirações para o capitalismo, referenciamos um comentário da poetisa americana Maya Angelou, em resposta a uma pergunta sobre o que ela mais respeitou em Mandela. Ela afirmou que foi a sua coragem. Angelou disse que a coragem é a virtude mais importante, porque sem coragem todas as outras virtudes não podem ser praticadas de forma consistente. Mandela era um modelo de coragem. Gostaríamos de sugerir que, se os investidores pudessem demonstrar parte dessa coragem de convicção em seus processos analíticos, os melhores propósitos do capitalismo poderiam ser preenchidos em um nível mais grandioso … e Mandela poderia se orgulhar.

Considerando as aspirações de ter um legado social e econômico extraordinário, voltamos nossa atenção para o Brasil neste mês. Em uma série de notas ressaltando os tremendos desafios e oportunidades desta nação, começamos com um relatório de Marina Grossi, presidente do CEBDS, o Conselho Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável. Em nossa seção “Regional Imperatives” do JSFB, Marina destaca a extensão nas quais empresas mais corajosas e os líderes empresariais buscam ferramentas e maneiras de articular a necessidade de “romper com o imediatismo”.

Também neste mês em nossa seção “Regional Imperatives”, apresentamos um relatório do professor da Harvard Business School, Robert Eccles, abordando o progresso do Brasil em torno dos “Relatórios Integrados” e divulgação corporativa de performance financeira. Levando em conta que a estrutura do mercado no Brasil ainda se caracteriza por acionistas fundadores com controle significativo, o Professor Eccles mede a extensão na qual uma maior transparência será abraçada e adotada pelos Conselhos de empresas listadas no Brasil. Governança Corporativa é o fator decisivo aqui, e se os sinais do Institituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) nos dão um um insight, os esforços do Brasil podem muito bem lutar para nos mostrar o caminho.

Na “Visão Brasil” referenciada por Marina, é prestada atenção aos custos reais e as recompensas dos negócios, bem como o impacto e a dependência do capital natural e social. Essa evolução está em destaque na nossa seção “Global Sector Research” deste mês, com discussões da Analista de ESG e Pesquisas Políticas da Cornerstone, Margarita Pirovska, com Perspectivas da Energia no Brasil, e pelo Diretor na América Latina de Pesquisas e Analista de Consumo da UBS, Gustavo Piras Oliveira. Enquanto Margarita endereça a capacidade do país em reconciliar seus imperativos sócio-econômicos e ambientais no contexto da sua política energética, Gustavo destaca a transformação do cenário de consumo do Brasil, quando o foco muda de volume para valor. Esta nova geração de consumidores mais sofisticados precisa ver as corporações aumentarem a articulação do seu senso de responsabilidade. Gustavo afirma que as inovações de empresas como AmBev, Lojas Renner, Pão de Açúcar e Natura realmente se pagarão e impulsionarão demanda e crescimento rentável no longo prazo.

Em liderando o caminho este mês, oferecemos dois artigos no “Open Source Excellence”. O primeiro de João Paulo Ferreira, Vice-Presidente da Natura, que nos brinda com uma visão sobre as práticas pioneiras de negócios da Natura, que aproveita a beleza do patrimônio genético Brasileiro. O segundo artigo é do CEO da Even Construtora e Incorporadora S/A., Carlos Terepins, que oferece um brilhante exemplo na estruturação da visão da empresa em sustentabilidade, onde conceitos inovadores de gestão e a coragem da convicção podem impulsionar o sucesso a longo prazo. Ambas as notas destacam o vínculo indissolúvel entre a rentabilidade das empresas a longo prazo e uma consciência elevada de imperativos sociais. Na verdade, muitos exemplos de excelência empresarial são avistados por Ricardo Voltolini, Presidente da Ideia Sustentável em seu relatório “Atendimento Virtual”. Aqui, Voltolini alavanca a Plataforma Liderança Sustentável para buscar a evolução verdadeira do modelo de negócio ao invés de retórica.

No que diz respeito ao sucesso a longo prazo dos investidores, nos voltamos este mês para a seção “Enhanced Analytics” do JSFB. Em um artigo de Alexandra Mihailescu Cichon e Anna Tuson da RepRisk AG, fomos apresentados a uma nova e poderosa ferramenta para analisar risco de ESG a nível de país. Usando o Brasil como exemplo, a equipe destaca a capacidade de avaliar o risco macroeconômico e político, enquanto alavanca um amplo banco de dados que captura críticas, controvérsias e polêmicas relacionadas ao meio ambiente, trabalho e problemas comunitários.

Voltando ainda mais explicitamente para o “S” no ESG este mês, apresentamos uma série de artigos, começando com um “Sustainable Editorial” do Diretor Conselheiro da Cornerstone, Andrew Macleod, argumentando que o setor financeiro deve ser sistemático na fatoração do risco comunitário (que tem potencialmente enorme poder destrutivo sobre Valor Presente Líquido, se mal tratado). O mesmo pode ser argumentado para se lidar com as tendências demográficas na sociedade e na capacidade de uma empresa envolver plenamente a sua força de trabalho. Portanto, este mês em nosso “Accelerating Impact”, nos conectamos a uma das principais autoridades mundiais em resultados para as crianças de famílias que utilizaram serviços de reprodução assistida. Aqui, temos uma “chamada à ação” para a participação em um novo estudo sobre filhos de casais do mesmo sexo, pelo Dr. Susan Golombok da Universidade de Cambridge. Junto a este artigo, um novo “Sustainable Product Review”, falando sobre o programa de televisão de grande sucesso “Modern Family”.

Adicionalmente, consideramos a questão crítica dos Direitos Humanos no contexto do desempenho corporativo. Em “Corporate Governance Insights”, Julie Tanner da CBIS articula os passos necessários no engajamento corporativo para otimizar o desempenho e, por sua vez, proteger adequadamente o valor para o acionista. Como Julie afirma, respeitar os direitos humanos é urgente, necessário, e não opcional.

Finalmente, este mês oferecemos um “Featured Domain” que destaca o valor intangível do capital humano: idéias e relacionamentos. “DomainArbitrage.net” parece não cair sob a Regra Volcker e esperamos as “não por acaso” consequências de maior colaboração e transparência para os mercados de capital do futuro.

Desejamos um feliz, saudável e próspero Ano Novo para os nossos clientes, colegas e amigos. Convidamos a um diálogo e feedback contínuo sobre este relatório. E, como foi observado no passado, este resumo está sendo distribuído a um amplo grupo de participantes do mercado de capitais. Para receber o Cornerstone Journal of Sustainable Finance & Banking completo, nós convidamos você a se inscrever – clique aqui para maiores informações (website em inglês).

Meus sinceros cumprimentos,

Erika

Erika Karp

Chief Executive Officer